A vida em cápsulas

capsula

Antigamente, pensando em muitos séculos atrás, os homens e animais morriam muito cedo, uma gripe, um tipo de alergia, qualquer coisa que atacasse o organismo a ponto de debilitá-lo ao extremo era capaz de matar. Isso se chamou seleção natural. Nomeada por Darwin, ela consiste em: os mais aptos, fortes e capazes sobrevivem e procriam, enquanto os mais fracos ou inadaptados morrem sem herdeiros.

Como todos sabem, o homem evoluiu. A ciência evoluiu. Atualmente grandes epidemias que mataram milhares de pessoas poderiam ter sido evitadas por uma simples vacina ou por medicamentos. Por falar em medicamentos, está aí um mercado que movimenta anualmente bilhões de dólares. Seu mal estar está a uma cápsula da cura. Um comprimido de compostos químicos exatos pode aliviar suas dores em troca de alguns efeitos colaterais e dinheiro. Ótimo. O mercado ganha, você ganha, todos ganham.

Conforme envelhecemos o corpo vai dando sinal de cansaço. Por genética, por uso inadequado ou, simplesmente, por uso; nosso corpo começa a falhar. Se você estiver acima dos quarenta, está no lucro, já teve tempo de ter e cuidar da sua prole, suas crianças cresceram e já sabem se cuidar, segundo a natureza. Não segundo o homem. Nossa expectativa de vida devido ao avanço da ciência passou dos oitenta anos, mas a que preço e com que qualidade?

Seus rins começam a falhar e você passa a esperar dia após dia por um doador, enquanto passa por um doloroso e completo processo de hemodiálise dia sim dia não. O câncer se alastra pelo seu pulmão de fumante e, apesar de não ter feito nada fora da lei, você está condenado a passar o resto de seus dolorosos dias preso a uma cama de hospital dopado e lutando pela busca de ar. Ou, por algum motivo chegou sua hora, mas medicamentos e aparelhos o mantém vivo, às vezes por meses e anos, em um coma profundo ou vegetativo.

Sim, é ótimo a ciência avançar, remédios e operações salvam vidas, mantém pessoas mais tempo com familiares, dão novas perspectivas para vidas que estavam no fim. A princípio remédios curam e tiram a dor. Prolongam a vida. Dão uma sobrevida aos órgãos e nosso organismo como um todo, mas, a que preço?

A morte é algo certo, podemos adiá-la, mas não evitá-la. Não importa o tipo de tratamento, nosso corpo definhará até este momento, a ciência soluciona um problema e, logo em seguida, surge outro, mais grave e terminal. Existe qualidade de vida em alguém viver através de aparelhos e coquetéis de remédios? E a dor insuportável e diária com a qual a pessoa tem que conviver?

Em casos extremos é válida a espera de um milagre e o medo da morte ou é apenas um prolongamento da terrível dor, como no purgatório, segundo as religiões ocidentais?

1 Comment(s)

  1. Acho válido usar-mo-nos do livre arbítrio para decidir entre ser forte e aceitar o “destino”, ou ficar se martirizando, sofrendo, adiando o momento até que….
    “ou! out! Brief candle.”

    Acho que quem vive direitinho (=leia-se: fazendo a vida valer a pena) não teme a morte.
    Não gosto de ficar muito tempo pensando nisso com a idade que eu tenho, sei que não temo, não.

    (só não achei nada agradável as aulas terem sido adiadas por causa da gripe suína e eu estar em casa, de molho, com GRIPE! Não tenho medo, mas isso é sacanagem!)


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