
Criaram o emprego de carteiro. Lá ia o pobre homem andar de uma cidade a outra levando quilos de cartas, papéis e etc. Provavelmente, no período de um mês, você teria uma resposta para o que enviou.
Então, criou-se o telefone. Pessoas podiam falar umas com as outras a quilômetros de distância em tempo real. Incrível. Imagino algum parente meu de chapéu, longas suíças e barba volumosa girando a manivela e enfiando um quase funil no ouvido para falar com alguém.
Hoje tudo é mais fácil, e menos bizarro também. Podemos falar com qualquer um, em qualquer lugar, em qualquer meio. Usamos o celular smartphone, ou nosso notebook com webcam e microfones integrados, ou ainda, se você for extremamente geek, já terá obtido um netbook, porque, realmente, não andamos mais puxando um cavalo por aí, onde carregaríamos tamanho peso do notebook?
Nós nos comunicamos a nível virtual, mas, muitas vezes, este se confunde com o real. Só o percebemos quando precisamos do contato físico. Isto é um problema, já que há uma grande diferença entre o contato real e o virtual.
Pode parecer que sou contra, mas não sou. Acho ótimo podermos ter contato com diferentes culturas e pessoas; falar, fazer negócios e aprender com pessoas que, se não fosse a tecnologia, muito dificilmente teríamos interação. Nossa visão do mundo é ampliada infinitamente se pensarmos que há 100 anos atrás o mundo de um cidadão padrão da sociedade deveria se resumiria a 500 quilômetros de sua cidade-natal.
Uma forma de diminuir a distância do real e do virtual são as pontes, tanto as pontes construídas pelos engenheiros, quanto as pontes-aéreas. Apesar de não ser tão barato, nunca foi tão fácil viajar alguns mil quilômetros em poucas horas. Isso até que se caia em uma rotina e essas horas pareçam intermináveis e lentas, como as do trânsito de São Paulo. Até que você acorde e demore alguns minutos até se situar e descobrir em que cidade está. Acredite, isto acontece.
Cada vez mais as pessoas conhecem mais do mundo, se emaranham em mais redes sociais e se comunicam mais, no entanto, se tornam mais e mais sozinhas. Não que sejam anti-sociais, muito pelo contrário, se tornam sociáveis até demais. Tão sociáveis a ponto de preferirem digitar uma mensagem e poderem falar com 15 pessoas ao mesmo tempo. Tão sociáveis que preferem mandar uma mensagem ou ligar para um amigo ao invés de ir visitá-lo. Aliás, muitas vezes queremos, mas não podemos, afinal, as pessoas muitas vezes não estão nem mesmo na nossa cidade.
Acho que está na hora de eu comprar o meu jatinho.
Texto original para a revista FrkMag de julho.
Leave a Comment
No comments yet.
Comments RSS TrackBack Identifier URI

