P. não gosta de divulgar seu nome, fez uma faculdade que gostava e atualmente trabalha em uma empresa.
P. acordou com o despertador e, como de costume, escovou seus dentes, tomou seu banho, seu café com torradas, pegou o carro e foi trabalhar. No trabalho, tomou uma bronca do chefe por ter deixado coisa por fazer. Ao final da tarde foi elogiado pelo mesmo por uma requisição bem feita. Após o trânsito de uma hora chegou cansado em casa, sua companheira lhe esperava para o jantar,nada de mais. Ele escovou os dentes de novo, assistiu televisão na cama com ela, transaram por meia hora e, em seguida, deu-lhe um beijo na boca, disse um “te amo”, virou para o lado, e dormiu. Acordou no meio da madrugada e chorou por algum motivo e, em seguida, dormiu de novo.
No dia seguinte, P. acordou com o despertador e, como de costume: escovou seus dentes, tomou seu banho, seu café com torradas, pegou o carro e foi trabalhar. No trabalho, tomou uma bronca do chefe por ter deixado coisa por fazer. Ao final da tarde foi elogiado pelo mesmo por uma requisição bem feita. Após o trânsito de uma hora chegou cansado em casa, sua companheira lhe esperava para o jantar,nada demais. Ele escovou os dentes de novo, assistiu televisão na cama com ela, transaram por meia hora e, em seguida, deu-lhe um beijo na boca, disse um “te amo”, virou para o lado, e dormiu. Acordou no meio da madrugada e chorou por algum motivo e, em seguida, dormiu de novo.
No próximo, P. acordou com o despertador e, como de costume: escovou seus dentes, tomou seu banho, seu café com torradas, pegou o carro e foi trabalhar. No trabalho, tomou uma bronca do chefe por ter deixado coisa por fazer. Ao final da tarde foi elogiado pelo mesmo por uma requisição bem feita. Após o trânsito de uma hora chegou cansado em casa, sua companheira lhe esperava para o jantar,nada demais. Ele escovou os dentes de novo, assistiu televisão na cama com ela, transaram por meia hora e, em seguida, deu-lhe um beijo na boca, disse um “te amo”, virou para o lado, e dormiu. Acordou no meio da madrugada e chorou por algum motivo e, em seguida, dormiu de novo.
Sim, levou não um, não três, mas centenas de dias para P. descobrir que quando dormia o tempo retrocedia e tudo, naquele dia, aconteceria como acontecia no dia anterior, conforme o script.
Passaram-se mais algumas semanas e P. já sabia as falas de cor e salteado, sabia o que viria no decorrer do dia, mas tinha imenso medo de tentar algo diferente. E se tomasse uma maior bronca do chefe? E se não conseguisse alguém para lhe dar carinho à noite? E se não fizesse sexo antes de dormir?
Um belo dia, P. se deitou, piscou o olho, mas não dormiu. Sentiu uma angústia muito forte, sentiu-se atado a sua própria cama, enquanto chorava pensava em como vivera a sua vida. O despertador tocou mas P. não acordou, ele já não se encontrava mais ali. Ele seguiu rumo a uma cidade litorânea, na qual passou o dia inteiro tomando sol e, de tarde, fazendo compras. À noite, conheceu uma mulher um pouco mais nova, bebeu e se divertiu. Quando percebeu estava em um motel, embriagado e acabara de ter a melhor transa de sua vida, como de costume, virou pro lado, disse um te amo e dormiu. P. podia fazer o que quisesse, afinal, o outro dia seria sempre igual.
Desta vez não foi. P. foi acordado com o toque do celular, no qual seu chefe o demitira por ter faltado naquela reunião importante, sua companheira ligou 20 minutos depois brigando e querendo saber por que o canalha não havia voltado para casa. Ele desligou o celular, cutucou a mulher ao lado de sua cama e transaram de novo. E de novo. P. ligou a TV e viu os números da Mega Sena acumulada. Desta vez não acumulou. Conferindo os números com os números do bilhete que ele comprara ontem descobriu, era o mais novo milionário do país. Resolveu voltar para São Paulo, com a mulher, e dar a maior festa de sua vida. Lá estavam todos seus conhecidos, inclusive sua companheira e do resto ele não se lembra.
P. acordou com o despertador e, como de costume: escovou seus dentes, tomou seu banho, seu café com torradas, pegou o carro e foi trabalhar. No trabalho, tomou uma bronca do chefe por ter deixado coisa por fazer. Ao final da tarde foi elogiado pelo mesmo por uma requisição bem feita. Após o trânsito de uma hora chegou cansado em casa, sua companheira lhe esperava para o jantar,nada de mais. Ele escovou os dentes de novo, assistiu televisão na cama com ela, transaram por meia hora e, em seguida, deu-lhe um beijo na boca, disse um “te amo”, virou para o lado, e dormiu. Acordou no meio da madrugada e chorou por algum motivo e, em seguida, dormiu de novo.
Seu nome?
Padrão.
3 Comments
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Que tééédio auhauhauah. Fiquei com dó de mim mesmo.
É sempre a mesma jogada,um emprego e uma namorada…qdo vc crescer.
Fantástico.
O triste é saber que 80% das pessoas que convivem com a gente têm o sobrenome P.
Mais tant pis, n’est-ce pas?